sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Princesa Charlote e o Baile de Aniversário: capítulo 4

   Enquanto andávamos pelo corredor, passamos por um grupo de princesas observando um quadro de avisos. Assim que nos aproximamos, elas começaram a cochichar, e uma das princesas, com um nariz bem pontudo, disse:
   - AQUELAS são as garotas de quem eu estava falando! Elas estão numa GRANDE encrenca! E JÁ conseguiram perder pontos de tiara!
   As outras riram com sarcasmo. A princesa Sophia foi fantástica. Ela nos conduziu pelo caminho com um olhar TÃO superior em seu rosto que eu quase caí na gargalhada.
   - Ignore-as! - ordenou, com sua voz clara. - Princesas deveriam se apoiar o tempo todo, especialmente quando as coisas dão errado! - E prosseguiu andando como se nada a incomodasse no mundo.
   - Aquela, perto do quadro, era a princesa Flora - disse Alice em meu ouvido. - E a Princesa Perfeita era a de olhar pretencioso. Ela já estava aqui no ano passado, mas não conseguiu pontos suficientes para se juntar ao Clube da Tiara. Por isso, ela voltou e está no primeiro ano com a gente. Minha irmã mais velha diz que ela DÁ MEDO.
   - Ah - eu disse e, em seguida, observei uma coisa. Emily e Daisy estavam suspirando com muita, muita intensidade, e instantaneamente percebi que tentavam conter o choro. Eu decidi que PRECISAVA convencer a Fada Madrinha de que minhas novas amigas tinham de ir ao baile de aniversário, mesmo sem mim. Talvez, e nessa hora senti um frio ENORME na barriga diante de tal pensamento, ela fosse capaz de me dar até MAIS ALGUNS pontos negativos.
   Alice sabia onde ficavam os aposentos da supervisora, e logo nos encontramos diante de uma enorme porta com uma placa com os seguintes dizeres:


                                                                     Fada Madrinha                                                                     
                                                                                                                                                                  
                                                     Supervisora da Escola das Princesas                                                   
                                                                                                                                                                  
Por favor, nada de sapos, rãs ou aranhas.
OBS.: Nenhum remédio para dor de 
cabeça será dado a dragões.
 
   Respirei bem fundo e bati à porta.
   - ENTRE! - soou uma voz alta e ressonante.
   Então, abri a porta nervosamente e espiei o interior do quarto.
   A Fada Madrinha era ENORME. Tinha um rosto grande avermelhado e cabelos volumosos. Ela vestia toda uma coleção de xales, echarpes e coisas drapeadas e esvoaçantes. Atrás dela havia umfogo intenso e crepitante, e as chamas rugiam pela chaminé.
   Por todo o quarto só se viam prateleiras e mais prateleiras de garrafas, potes e jarras, e maços estranhos do que pareciam ser ervas. O maior gato malhado que já vi na minha vida estava enrolado atrás de uma poltrona gigante. Tudo ali era MUITO esquisito, e um pouco assustador.
   Então, avistei os nossos vestidos de baile. Estavam todos pendurados em um longo varão, e você NUNCA viu algo tão horrível. Os vestidos estavam cobertos de lama e lodo, e gotejavam por todo o carpete. As rendas tinham se rasgado, e as plumas estavam desgrenhadas... e havia um longo circulo de estrelas amareladas cobrindo um amontoado de anáguas rasgadas e esfarrapadas.
   Sophia deixou escapar o choro. As outras respiraram fundo.
   O pior de tudo: Alice soltou minha mão e segurou o braço de Katie.
   - Meus vestidos LINDOS! - lamentou ela. - Ai, OLHE para isso!
   - ENTÃO - vociferou a Fada Madrinha olhando diretamente para mim - FOI VOCÊ QUEM CAUSOU TODA ESSA BAGUNÇA E CONFUSÃO! O QUE TEM A DIZER, MOCINHA?
   Engoli em seco.
   - Foi tudo culpa minha - sussurrei. - Simplesmente não pensei. Corri atrás da carruagem e o cocheiro só se acidentou porque ele estava olhando para mim...
   E foi naquele exato momento que uma faísca ENORME voou da lareira e pousou sobre o espesso tapete de lã. A chama vermelho-alaranjado se inflamou ainda mais no ar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário