Há muito tempo, quando a magia existia na terra, uma bruxa má, chamada Picota, sentia inveja da filha do rei, a princesa Alice. A bruxa vivia num pântano perto do castelo do rei. Certa noite, quando a princesa passeava junto ao pântano, a bruxa apareceu e atirou-lhe um feitiço muito grande e difícil de reverter, transformando-a numa rã vermelha, horripilante e pegajosa. Ao atirar o feitiço, a bruxa disse:
- Que este feitiço que lhe cai tão bem seja para sempre! Só o beijo de um mortal poderá transformá-la de novo em princesa, isso se você não morrer de tristeza antes!
Depois, com uma risada alta e odiosa, a bruxa desapareceu, deixando a princesa, transformada em rã, entregue ao seu terrível destino.
O tempo foi passando sem que a princesa-rã perdesse a esperança.
Os reis e as rainhas sucederam-se ao trono. Certo dia de primavera, o rei decidiu que seu filho devia ser coroado. Mas o Príncipe Fernando, filho do rei, não tinha vontade de nada, nem de ser coroado. Era um príncipe triste e melancólico. A melancolia tornava-o mudo, sem gosto nem desejo de viver. O rei vivia desesperado, pois já era velho e viúvo e só queria abdicar do trono para poder cuidar dos futuros netos.
Nessa manhã de primavera, o rei deu um murro na mesa e gritou ao filho:
- Meu filho, estou cansado! Hoje é a Festa da Primavera e eu ordeno que vá visitar o reino. O reino quer saber quem vai me suceder, pois dizem que você não serve para rei! Por isso, vá à festa e demonstre que você é um homem novo e cheio de coragem para comandar o reino.
Depois, o rei estalou os dedos e fez um sinal aos seus servos devotados:
- Deem-lhe banho, vistam-no, penteiem-no e depois amarrem uma vassoura nas costas dele para que anda direito. E você, meu filho, sorria! Sorria, pelo amor de Deus! - gritou o pai, ainda com a esperança de que seu filho mudasse de atitude.
Ao percorrer o caminho acidentado do reino, o príncipe deixou-se possuir por um enorme cansaço e adormeceu. A vassoura que lhe tinham colocado nas costas dava-lhe o aspecto de um fantoche. De repente, com um movimento brusco da carruagem, ele acordou e sua coroa caiu no chão.
- A carruagem está quebrada, Majestade! - gritou o cocheiro. - Vai demorar algum tempo para consertá-la, então a Vossa Majestade pode ir dar um passeio.
O príncipe desceu da carruagem e dirigiu-se para o pântano. Era o primeiro humano que passava por ali em muito tempo, e a princesa-rã, sempre atenta, tentou a sorte.
- Bom dia! - disse ela muito alto.
O príncipe, triste e com os olhos fixos no chão, não respondeu.
- Eu disse bom dia! - tornou a gritar a princesa-rã.
Os olhos do príncipe levantaram-se então e ele viu uma pequena mancha vermelha no meio das plantas do pântano.
- Este pântano pertence ao meu reino! Quem permitiu que você o invadisse?
O príncipe ficou intrigado. Era a primeira vez que alguém se dirigia a ele dessa maneira.
- Todo este reino é meu - disse a princesa-rã. - Leve-me com você, pois eu posso provar o que estou dizendo.
O príncipe deixou-se levar pelas palavras da princesa-rã e retomou seu caminho acompanhado dela. A princesa-rã não parava de elogiar as paisagens, as cores do céu, a limpidez da água dos riachos e o maravilhoso canto dos pássaros, dizendo que tudo aquilo era dela. E foi então que, pela primeira vez, o príncipe contemplou com alegria as maravilhas que o cercavam.
- Fique ao meu lado, rãzinha! - suplicou-lhe o príncipe. - Eu lhe darei o que quiser se você for minha amiga - prometeu ele, já sem tristeza e melancolia.
- Verdade? - disse a princesa-rã. - Você quer que eu seja sua amiga? E se eu aceitar, você me dá um beijo?
O príncipe, espantado, franziu as sombrancelhas.
- Um beijo? Bem, não sei se devo beijá-la. Não que você seja feia, mas a sua cor vermelha me assusta um pouco! Será que, se eu beijá-la, eu não vou ficar cheio de bolhas ou, pior ainda, envenenar-me?
- Oh, não! Não há perigo...
A princesa-rã fixou seus belos olhos redondos nos do príncipe.
- Beije-me e eu estarei sempre ao seu lado... - murmurou ela.
O príncipe respirou fundo, fechou os olhos e beijou a pequena rã vermelha. Nesse momento, o príncipe e a rã ficaram cobertos de milhares de estrelinhas de todas as cores. O príncipe, quando abriu os olhos, percebeu, espantado, que estava beijando a mais bela das princesas. Quando o Príncipe Fenando e a Princesa Alice chegaram ao castelo, contaram tudo o que tinha acontecido e, apaixonados, marcaram a data do casamento. O rei não cabia em si de contente. O príncipe e a princesa, mal se casaram, ordenaram que se enchesse o pântano de terra para que nenhuma outra bruxa aparecesse ali e fizesse mal para alguém. Depois eles tiveram muitos filhos e viveram felizes para sempre.
O tempo foi passando sem que a princesa-rã perdesse a esperança.
Os reis e as rainhas sucederam-se ao trono. Certo dia de primavera, o rei decidiu que seu filho devia ser coroado. Mas o Príncipe Fernando, filho do rei, não tinha vontade de nada, nem de ser coroado. Era um príncipe triste e melancólico. A melancolia tornava-o mudo, sem gosto nem desejo de viver. O rei vivia desesperado, pois já era velho e viúvo e só queria abdicar do trono para poder cuidar dos futuros netos.
Nessa manhã de primavera, o rei deu um murro na mesa e gritou ao filho:
- Meu filho, estou cansado! Hoje é a Festa da Primavera e eu ordeno que vá visitar o reino. O reino quer saber quem vai me suceder, pois dizem que você não serve para rei! Por isso, vá à festa e demonstre que você é um homem novo e cheio de coragem para comandar o reino.
Depois, o rei estalou os dedos e fez um sinal aos seus servos devotados:
- Deem-lhe banho, vistam-no, penteiem-no e depois amarrem uma vassoura nas costas dele para que anda direito. E você, meu filho, sorria! Sorria, pelo amor de Deus! - gritou o pai, ainda com a esperança de que seu filho mudasse de atitude.
Ao percorrer o caminho acidentado do reino, o príncipe deixou-se possuir por um enorme cansaço e adormeceu. A vassoura que lhe tinham colocado nas costas dava-lhe o aspecto de um fantoche. De repente, com um movimento brusco da carruagem, ele acordou e sua coroa caiu no chão.
- A carruagem está quebrada, Majestade! - gritou o cocheiro. - Vai demorar algum tempo para consertá-la, então a Vossa Majestade pode ir dar um passeio.
O príncipe desceu da carruagem e dirigiu-se para o pântano. Era o primeiro humano que passava por ali em muito tempo, e a princesa-rã, sempre atenta, tentou a sorte.
- Bom dia! - disse ela muito alto.
O príncipe, triste e com os olhos fixos no chão, não respondeu.
- Eu disse bom dia! - tornou a gritar a princesa-rã.
Os olhos do príncipe levantaram-se então e ele viu uma pequena mancha vermelha no meio das plantas do pântano.
- Este pântano pertence ao meu reino! Quem permitiu que você o invadisse?
O príncipe ficou intrigado. Era a primeira vez que alguém se dirigia a ele dessa maneira.
- Todo este reino é meu - disse a princesa-rã. - Leve-me com você, pois eu posso provar o que estou dizendo.
O príncipe deixou-se levar pelas palavras da princesa-rã e retomou seu caminho acompanhado dela. A princesa-rã não parava de elogiar as paisagens, as cores do céu, a limpidez da água dos riachos e o maravilhoso canto dos pássaros, dizendo que tudo aquilo era dela. E foi então que, pela primeira vez, o príncipe contemplou com alegria as maravilhas que o cercavam.
- Fique ao meu lado, rãzinha! - suplicou-lhe o príncipe. - Eu lhe darei o que quiser se você for minha amiga - prometeu ele, já sem tristeza e melancolia.
- Verdade? - disse a princesa-rã. - Você quer que eu seja sua amiga? E se eu aceitar, você me dá um beijo?
O príncipe, espantado, franziu as sombrancelhas.
- Um beijo? Bem, não sei se devo beijá-la. Não que você seja feia, mas a sua cor vermelha me assusta um pouco! Será que, se eu beijá-la, eu não vou ficar cheio de bolhas ou, pior ainda, envenenar-me?
- Oh, não! Não há perigo...
A princesa-rã fixou seus belos olhos redondos nos do príncipe.
- Beije-me e eu estarei sempre ao seu lado... - murmurou ela.
O príncipe respirou fundo, fechou os olhos e beijou a pequena rã vermelha. Nesse momento, o príncipe e a rã ficaram cobertos de milhares de estrelinhas de todas as cores. O príncipe, quando abriu os olhos, percebeu, espantado, que estava beijando a mais bela das princesas. Quando o Príncipe Fenando e a Princesa Alice chegaram ao castelo, contaram tudo o que tinha acontecido e, apaixonados, marcaram a data do casamento. O rei não cabia em si de contente. O príncipe e a princesa, mal se casaram, ordenaram que se enchesse o pântano de terra para que nenhuma outra bruxa aparecesse ali e fizesse mal para alguém. Depois eles tiveram muitos filhos e viveram felizes para sempre.