terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ficha da Malévola

Nome completo: Malévola.
 
Minha História: A Bela Adormecida.
 
Qualidades Pessoais Poderosas: Espirituosa. Antenada. Assertiva.
 
Vizinha de Prisão: Rainha de Copas.
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Desejo Secreto: Ser a Rainha das Fadas e a Rainhas dos Vilões! Por quê? Porque eu domino.

Meu Toque Mágico: Quando lanço um feitiço, deixo qualquer maldição mais forte!

Momento Desencanto: Sempre esquecem de me convidar para as festas. O bom é que o meu destino é chegar sem avisar.

Melhores Amigas Para Sempre: Cisne Negro.

Filha: Faybelle Thorn.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Ficha do Príncipe Encantado

Nome Completo: Sr. Charming
 
Minha História: Princess Charming
 
Qualidades Pessoais Poderosas: Destemido. Heroico. Forte.
 
Desejo Secreto: Mostrar ao mundo dos Contos de Fada que as princesas também podem ser heroínas corajosas.
 
Meu Toque Mágico: Quando jogo o meu cabelo, tudo ao meu redor começa a ficar em câmera lenta.
 
Vida Amorosa: Branca de Neve.
 
Momento Desencanto: As pessoas precisam parar de me tratar como indefeso.
 
Melhores Amigos para Sempre: Sete Anões e Fera. Os 8 são fortes e lutam por aquilo que acreditam.
 
Vizinha de Palácio: Bela e a Fera.
 
Filha: Darling Charming.
 
 
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domingo, 7 de fevereiro de 2016

Terra de Histórias: O Feitiço do Desejo - Prólogo - O Encontro das rainhas


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   A masmorra era um lugar deplorável. Uma luz fraca e trêmula emanava das tochas presas às paredes de pedra. Do teto, pingava uma água pestilenta, que vinha do fosso que circundava o palácio. Ratos enormes perseguiam uns aos outros pelo chão em busca de comida. Aquele não era lugar para uma rainha.
   Era pouco mais de meia-noite, e tudo estava quieto, a não ser pelo barulho ocasional de uma corrente.
   Passos ecoaram pelos corredores, cortando o silêncio e anunciando que alguém descia a escada espiral em direção à masmorra.
   Uma jovem, coberta dos pés à cabeça por uma longa capa esmeralda, surgiu dos últimos degraus. Passou cautelosamente pelas celas enfileiradas, provocando a curiosidade dos prisioneiros. A cada passo, sua velocidade diminuía, ao contrário do ritmo de seu coração, que batia mais apressado.
   Os presos eram organizados de acordo com o delito que tinham cometido. Quanto mais ela avançava pelo interior da masmorra mais cruéis e perigosos que encontrava ali. Os olhos da jovem focava a cela que ficava bem no fundo do corredor, na qual uma prisioneira era vigiada dia e noite por um guarda corpulento.
   A jovem viera para fazer uma pergunta. Uma pergunta simples, mas que consumia diariamente. Uma pergunta que roubava seu sono na maioria das noite e que, quando ela finalmente conseguia dormir, era a única coisa com a qual sonhava.
   Somente uma pessoa poderia dar a resposta de que precisava, e essa era justamente a prisioneira que se encontrava detrás daquelas grades.
   - Quero vê-la - disse ao guarda a mulher vestida com uma longa capa.
   - Ninguém tem permissão para vê-la - respondeu o guarda, quase achando graça no pedido. - Sigo ordens estritas da família real.
   A mulher então baixou o capuz e mostrou-lhe o rosto. Tinha a pele clara como a neve, os cabelos pretos como carvão e olhos que espelhavam o verde da floresta. Sua beleza era celebrada em todo o reino, e sua história muito ultrapassava as fronteiras daquelas terras.
   - Majestade, por favor, perdoe este humilde servo! - desculpou-se o guarda, estupefato, curvando-se rapidamente em uma reverência exagerada. - Não esperava receber visitas de alguém do palácio.
   - Não precisa se desculpar - disse ela. - Mas, por gentileza, não diga a ninguém que estive aqui esta noite.
   - Certamente - disse o vigilante, assentindo com a cabeça.
   A mulher aproximou-se da grade, aguardando que esta fosse suspensa, mas o guarda hesitou.
   - Tem certeza de que deseja mesmo entrar, Majestade? - perguntou. - Não se sabe do que ela é capaz.
   - Preciso vê-la - disse a mulher. - A qualquer custo.
   O guarda começou então a girar uma enorme alavanca circular, fazendo as barras de ferro subirem. A mulher respirou fundo e seguiu em frente. Caminhou por entre as paredes de um corredor ainda mais longo e escuro; as grades em sequência se suspendiam sucessivamente diante dela, fechando-se atrás de si assim que ela as atravessava. Finalmente, chegou ao fim do corredor, e a última grade se abriu para que ela entrasse na cela.
   A prisioneira estava sentada em um banquinho bem no meio do recinto, o olhar absorto na pequena janela. Levou alguns minutos até se dar conta da presença da visitante atrás de si. Era a primeira visita que recebia, e soube quem era sem precisar olhar - só podia ser uma pessoa.
   - Olá, Branca de Neve - disse suavemente a prisioneira.
   - Olá, madrasta - respondeu Branca de Neve, estremecendo um pouco de nervosismo. - Espero que esteja passando bem.
   Embora Branca de Neve tivesse ensaiado sua fala, era quase impossível não gaguejar.
   - Ouvi dizer que agora você é a rainha - disse a madrasta.
   - Sim - respondeu Branca de Neve. - Herdei o trono, como planejava papai.
   - Então, a que devo essa honra? Veio me ver definhar? - perguntou-lhe a madrasta. De sua voz emanava o poder e a autoridade habituais, conhecidos por derreter gelo ao fogo o mais robusto dos homens.
   - Ao contrário - disse Branca de Neve. - Vim para entender.
   - Entender o quê? - irrompeu a madrasta.
   - Por que... - Branca de Neve hesitou. - Por que você fez o que fez.
   Após dizer isso, Branca de Neve de repente sentiu diminuir o peso que carregava nas costas. Finalmente havia se livrado daquela questão que ocupava sua mente com tanta insistência. Metade do desafio fora vencida.
   - Há tanta coisa neste mundo que você não entenderia - disse a madrasta, virando-se para olhar a enteada.
   Era a primeira vez em muito tempo que Branca de Neve via o rosto da madrasta. Era o rosto de alguém que possuíra irretocável beleza; o rosto de alguém que já fora rainha. Agora, porém, aquela mulher não se passava de uma prisioneira cuja expressão se apagara gradualmente até se transformar em uma carranca triste e perene.
   - Pode ser - disse Branca de Neve. - Mas você não pode me culpar por tentar encontrar as razões por trás de suas ações.
   Nos últimos anos, a vida de Branca de Neve havia se transformado na história mais absurda a que o reino já assistira. Todos conheciam a passagem da boa princesa que buscou refúgio com os sete anões para se esconder da madrasta invejosa. Todos sabiam sobre a infame maçã envenenada e o impetuoso príncipe que salvou Branca de Neve da falsa morte.
   A história era simples, mas seu desfecho não. Mesmo com o casamento e a monarquia para lhe ocupar o tempo, Branca de Neve se flagrava constantemente pensando se as teorias levantadas sobre a vaidade da madrasta eram verdadeiras. Algo do íntimo da nova rainha recusava-se a crer que uma pessoas pudesse, de fato, ser tão maligna.
   - Sabe como chamam você lá fora? - perguntou Branca de Neve. - Do outro lado dos muros desta prisão, o mundo se refere a você como a "Rainha Diabólica". - Pouco se pode fazer para mudar a opinião das pessoas quando estão com a cabeça feita.
   Estupefata de ver que a madrasta pouco se importava, Branca de Neve continuou a falar, procurando nela algum sinal de humanidade.
   - Eles queriam executá-la após descobrirem seus crimes contra mim! O reino inteiro a queria morta! - a voz de Branca de Neve começou a falhar até se transformar num tênue sussurro, abafado pelas emoções que transbordavam dentro de si e contra as quais tentava lutar. - Mas eu não permitiria. Não poderia...
   - Devo agradecer-lhe por ter me poupado? - interrompeu a Rainha Diabólica. - Se espera encontrar alguém que lhe caia aos pés em gratidão, está na cela errada.
   - Não fiz isso por você. Fiz por mim - disse Branca de Neve. - Goste ou não, você é a única mãe que conheci. E recuso-me a aceitar que seja o monstro desalmado que o resto do mundo considera. Posso estar errada, mas acredito que há um coração dentro de seu peito.
   Lágrimas escorriam pela cândida face de Branca de Neve. Prometera a si que seria forte, mas, ao ficar diante da madrasta, perdera o controle de suas emoções.
   - Pois então receio que você esteja equivocada - disse a Rainha Diabólica. - A única alma que tive na minha vida morreu muito tempo atrás, e o único coração que você encontrará no meu peito é feito de pedra.
   A Rainha Diabólica de fato tinha um coração feito de pedra, mas não dentro de si. Uma pedra com o tamanho e a forma de um coração humano jazia sobre uma pequena mesa, no canto da cela. Foi o único item que lhe autorizaram levar para a masmorra.
   Branca de Neve recolheu a pedra, que vira na infância. O objeto sempre fora muito precioso para a madrasta; ela nunca o perdia de vista. Quando era criança, Branca de Neve nunca pôde tocar na pedra ou segurá-la, mas agora não poderia detê-la.
   Atravessou a cela, apanhou o objeto e fitou-o por um tempo. Tantas memórias vieram à tona! Toda a negligência da madrasta e a tristeza que esta lhe causou na infância a invadiram novamente.
   - Durante a vida inteira desejei apenas uma coisa - disse Branca de Neve. - Seu amor. Quando era menina, me escondia por horas no palácio com a esperança de que notasse minha ausência, mas você nunca percebia. Passava os dias recolhida a seus aposentos, entre espelhos e cosméticos, na companhia desta pedra. Gastava muito mais tempo com estranhos que lhe apresentavam métodos antienvelhecimento do que com sua própria filha. Por quê?
   A Rainha Diabólica nem se dignou a responder.
   - Por quatro vezes você tentou me matar, três delas com as próprias mãos - lembrou Branca de Neve, quase descrente. - Quando se fantasiou de velhinha para me encontrar no chalé dos anões, eu sabia quem estava por baixo do disfarce. Eu sabia que você era perigosa, mas sempre permiti que se aproximasse, pois tinha esperança de que pudesse mudar. Deixei você me ferir.
   Branca de Neve jamais havia confessado isso a alguém. Ela não se conteve: enterrou o rosto nas mãos e chorou assim que terminou de falar.
   - Você acha então que sabe o que é desgosto? - disse a Rainha Diabólica, num tom tão pungente que assustou a enteada. - Você não sabe nada sobre sofrimento. Pode nunca ter recebido afeto de mim, mas, desde o momento em que nasceu, foi amada pelo reino inteiro. Algumas pessoas não têm essa sorte. Algumas pessoas, Branca de Neve, perdem o único amor que conheceram na vida.
   Branca de Neve já não sabia mais o que dizer. A que amor a madrasta estava se referindo?
   - Você está falando do meu pai? - perguntou.
   A Rainha Diabólica balançou a cabeça e fechou os olhos.
   - A ingenuidade é uma dádiva. Acredite se quiser, Branca de Neve, eu tinha uma vida antes de fazer parte da sua.
   Branca de Neve ficou em silêncio e ligeiramente envergonhada. Sabia, claro, que a madrasta tivesse uma vida antes de se casar com seu pai, mas nunca parara para pensar que vida, afinal, fora essa.
   Nunca tivera motivo para indagar-se sobre isso, já que a madrasta sempre fora tão reservada.
   - Onde está o meu espelho? - intimou a Diabólica.
   - Será destruído - respondeu Branca de Neve.
   De repente, a pedra começou a ganhar peso na mão de Branca de Neve. Não sabia se a sensação era real ou imaginária, mas passou a sentir nos braços um cansaço enorme por carregar aquele coração de rocha dura que precisou colocá-lo de lado.
   - Você me esconde tanta coisa ainda - lamentou Branca de Neve. - E me escondeu tanto durante todos esses anos!
   A Rainha Diabólica baixou a cabeça e cravou o olhar no chão. Permaneceu em silêncio.
   - Eu talvez seja a única pessoa neste mundo que lhe tem compaixão. Por favor, não a despreze - implorou Branca de Neve. - Se aconteceu algo no passado que tenha influenciado nas suas decisões mais recentes, peço que me conte.
   Nenhuma resposta.
   - Não vou sair daqui até você me contar! - gritou Branca de Neve, levantando a voz pela primeira vez na vida.
   - Tudo bem - disse a Rainha Diabólica.
   Branca de Neve ajeitou-se em outro banco que havia na cela. A Rainha Diabólica esperou um momento antes de começar a falar, o que só fez aumentar a ansiedade da enteada.
   - Sua história sempre será romantizada - começou. - Ninguém jamais pensará na minha, no entanto. Continuarei a ser degradada, transformada numa vilã grotesca, até o fim dos tempos. Mas o que o mundo não entende é que uma vilã não passa de uma vítima cuja história não foi contada. Tudo o que fiz, o trabalho de uma vida e meus crimes contra você foram por ele.
   Branca de Neve sentiu seu coração pesar. Sua cabeça girava, a ansiedade lhe invadia o corpo todo.
   - Quem? - perguntou de maneira tão impulsiva que não conteve o desespero na voz.
   A Rainha Diabólica fechou os olhos e deixou as memórias aflorarem. Imagens de pessoas e lugares ligados a seu passado escaparam do fundo de sua mente e voaram livres como vaga-lumes numa caverna. Vivera tantas coisas na juventude! Havia tanto o que lembrar e tanto o que desejaria esquecer.
   - Vou lhe contar o meu passado, ou pelo menos o passado daquela que fui um dia - disse a Rainha Diabólica. - Mas fique avisada: minha história não termina com "felizes para sempre".

domingo, 24 de janeiro de 2016

A Princesa-rã

   Há muito tempo, quando a magia existia na terra, uma bruxa má, chamada Picota, sentia inveja da filha do rei, a princesa Alice. A bruxa vivia num pântano perto do castelo do rei. Certa noite, quando a princesa passeava junto ao pântano, a bruxa apareceu e atirou-lhe um feitiço muito grande e difícil de reverter, transformando-a numa rã vermelha, horripilante e pegajosa. Ao atirar o feitiço, a bruxa disse:
   - Que este feitiço que lhe cai tão bem seja para sempre! Só o beijo de um mortal poderá transformá-la de novo em princesa, isso se você não morrer de tristeza antes!
   Depois, com uma risada alta e odiosa, a bruxa desapareceu, deixando a princesa, transformada em rã, entregue ao seu terrível destino.
   O tempo foi passando sem que a princesa-rã perdesse a esperança.
   Os reis e as rainhas sucederam-se ao trono. Certo dia de primavera, o rei decidiu que seu filho devia ser coroado. Mas o Príncipe Fernando, filho do rei, não tinha vontade de nada, nem de ser coroado. Era um príncipe triste e melancólico. A melancolia tornava-o mudo, sem gosto nem desejo de viver. O rei vivia desesperado, pois já era velho e viúvo e só queria abdicar do trono para poder cuidar dos futuros netos.
   Nessa manhã de primavera, o rei deu um murro na mesa e gritou ao filho:
   - Meu filho, estou cansado! Hoje é a Festa da Primavera e eu ordeno que vá visitar o reino. O reino quer saber quem vai me suceder, pois dizem que você não serve para rei! Por isso, vá à festa e demonstre que você é um homem novo e cheio de coragem para comandar o reino.
   Depois, o rei estalou os dedos e fez um sinal aos seus servos devotados:
   - Deem-lhe banho, vistam-no, penteiem-no e depois amarrem uma vassoura nas costas dele para que anda direito. E você, meu filho, sorria! Sorria, pelo amor de Deus! - gritou o pai, ainda com a esperança de que seu filho mudasse de atitude.
   Ao percorrer o caminho acidentado do reino, o príncipe deixou-se possuir por um enorme cansaço e adormeceu. A vassoura que lhe tinham colocado nas costas dava-lhe o aspecto de um fantoche. De repente, com um movimento brusco da carruagem, ele acordou e sua coroa caiu no chão.
   - A carruagem está quebrada, Majestade! - gritou o cocheiro. - Vai demorar algum tempo para consertá-la, então a Vossa Majestade pode ir dar um passeio.
   O príncipe desceu da carruagem e dirigiu-se para o pântano. Era o primeiro humano que passava por ali em muito tempo, e a princesa-rã, sempre atenta, tentou a sorte.
   - Bom dia! - disse ela muito alto.
   O príncipe, triste e com os olhos fixos no chão, não respondeu.
   - Eu disse bom dia! - tornou a gritar a princesa-rã.
   Os olhos do príncipe levantaram-se então e ele viu uma pequena mancha vermelha no meio das plantas do pântano.
   - Este pântano pertence ao meu reino! Quem permitiu que você o invadisse?
   O príncipe ficou intrigado. Era a primeira vez que alguém se dirigia a ele dessa maneira.
   - Todo este reino é meu - disse a princesa-rã. - Leve-me com você, pois eu posso provar o que estou dizendo.
   O príncipe deixou-se levar pelas palavras da princesa-rã e retomou seu caminho acompanhado dela. A princesa-rã não parava de elogiar as paisagens, as cores do céu, a limpidez da água dos riachos e o maravilhoso canto dos pássaros, dizendo que tudo aquilo era dela. E foi então que, pela primeira vez, o príncipe contemplou com alegria as maravilhas que o cercavam.
   - Fique ao meu lado, rãzinha! - suplicou-lhe o príncipe. - Eu lhe darei o que quiser se você for minha amiga - prometeu ele, já sem tristeza e melancolia.
   - Verdade? - disse a princesa-rã. - Você quer que eu seja sua amiga? E se eu aceitar, você me dá um beijo?
   O príncipe, espantado, franziu as sombrancelhas.
   - Um beijo? Bem, não sei se devo beijá-la. Não que você seja feia, mas a sua cor vermelha me assusta um pouco! Será que, se eu beijá-la, eu não vou ficar cheio de bolhas ou, pior ainda, envenenar-me?
   - Oh, não! Não há perigo...
   A princesa-rã fixou seus belos olhos redondos nos do príncipe.
   - Beije-me e eu estarei sempre ao seu lado... - murmurou ela.
   O príncipe respirou fundo, fechou os olhos e beijou a pequena rã vermelha. Nesse momento, o príncipe e a rã ficaram cobertos de milhares de estrelinhas de todas as cores. O príncipe, quando abriu os olhos, percebeu, espantado, que estava beijando a mais bela das princesas. Quando o Príncipe Fenando e a Princesa Alice chegaram ao castelo, contaram tudo o que tinha acontecido e, apaixonados, marcaram a data do casamento. O rei não cabia em si de contente. O príncipe e a princesa, mal se casaram, ordenaram que se enchesse o pântano de terra para que nenhuma outra bruxa aparecesse ali e fizesse mal para alguém. Depois eles tiveram muitos filhos e viveram felizes para sempre.

O Sorriso da Princesa

   A Princesa Clara tinha perdido o sorriso. Isso deixou seu pai, o rei, muito triste e aborrecido, por isso fazia com que todos no palácio chorassem. A princesa tinha um semblante tão triste que as pessoas, mal olhavam para ela, fugiam correndo.
   Um dia, o rei, já desanimado, disse num suspiro:
   - É preciso curar a princesa. Ela tem que reencontrar seu sorriso.
   Então, chamou todos os médicos, mágicos e curandeiros da região. Todos ele examinaram a princesa e receitaram-lhe muitos litros de xaropes coloridos e toneladas de pastilhas perfumadas. Mas nem os xaropes, nem as pastilhas e nem mesmo pó de pirlimpimpim fizeram efeito.
   Mas, um dia, um rapaz chamado Marco chegou ao reino. Marco era um pequeno marinheiro e vinha de terras distantes. Na sua bolsa ele trazia muitas ervas mágicas.
   Marco soube do problema da princesa e resolveu entregar-lhe uma erva mágica que a curaria. Mas a princesa, abanando a cabeça, disse:
   - Já tomei todos os remédios que me trouxeram e nenhum deles funcionou. Já estou cansada! Não consigo engolir mais nada, nem mesmo sua erva mágica - e fechou a boca para que não a obrigassem a tomar mais remédios.
   Mas Marco insistiu e lhe disse:
   - Pelo menos experimente uma das minhas ervas e você verá que ficará curada! Venha comigo que eu vou lhe provar o poder que ela têm.
   Marco tomou a princesa pela mão e foram em direção à aldeia. Pelo caminho, cruzavam com uma velhinha que mancava. Marco ofereceu à velhinha uma das ervas que trazia na bolsa. Dois minutos mais tarde, ela não mancava mais. Eles passaram de casa em casa distribuindo ervas mágicas às pessoas. E todos os doentes ficaram curados depois de prová-las. Marco e a princesa Clara espalharam saúde e alegria por toda a aldeia.
   A princesa Clara curava com as ervas todos os doentes que ela encontrava. Seus olhos brilhavam de alegria, mas as ervas estavam acabando. Marco, ao ver que só restava uma erva, disse à princesa:
   - Clara, esta é a última erva! Você deve comê-la!
   - Não! Aquele menino doente precisa mais dela do que eu.
   E, no momento em que Clara deu a última erva ao menino, um enorme sorriso brilhou no seu rosto.

Como ser uma Princesa: A Associação das Princesas - Regras da Associação das Princesas

  • Todas as princesas devem ser aprovadas pelo conselho da ADP.
  • Princesas devem ser elegantes, belas e graciosas o tempo todo.
  • Membros de 10 anos ou mais devem liderar as aulas para princesas uma vez ao ano.
  • Princesas devem comparecer a pelo menos quatro encontros da ADP por ano e candidatar-se a hospedar a Reunião Anual de Princesas uma vez a cada sete anos.
  • Os membros devem contribuir para o fundo de apoio à Escola para Princesas Rebeldes.
  • Princesas devem oferecer hospitalidade a outros membros da ADP que estejam em viagem.
  • Membros devem passar ao menos uma semana por ano trabalhando no Lar das Princesas Aposentadas.
  • Aquelas que não se comportarem conforme nossos altos padrões receberão três avisos solenes antes de sua participação e seus privilégios serem cancelados.

Como ser uma Princesa: A Associação das Princesas

Todas as princesas pertencem à Associação das Princesas (ADP), fundada pela Princesa Ariadne muitos séculos atrás. Ela foi abandonada pelo Príncipe Teseu e, desde então, tem dedicado vida a ajudar todas as princesas. A Princesa Ariadne continua na direção da Associação com a ajuda de sócias vitalícias. Todas ajudam umas às outras, fazem muitos trabalhos úteis, como ajudar na Escola para Princesas Rebeldes, e nos encontramos com frequência, principalmente para dar as boas-vindas a novos membros como estamos fazendo hoje.

Como ser uma Princesa: Príncipes e Pretendentes

Chega um momento em que toda princesa precisa se casar. E é claro, nem todos os pretendentes serão do seu agrado. Princesas têm sempre que ser muito espertas para evitar se casar com príncipes que elas não gostem. Algumas vezes, os príncipes disponíveis são bem chatos e limitados, às vezes não são bonitos, ou são simplesmente cruéis. A melhor coisa a fazer é testá-los antes e checar se eles são dignos de pedir sua mão em casamento!

Como ser uma Princesa: Senhora de seu Próprio Reino - Princesa Flávia ou a Princesa Cavaleira

Há muito tempo, em Olveria, havia um rei com três tronos de diferentes cores. Ele se sentava em seu trono preto quando estava bravo, no trono azul quando estava feliz, e no trono vermelho quando estava em guerra. Um dia, suas filhas Carolina, Assuntina e Flávia o encontraram sentado em seu trono vermelho, pois a terra de Arberia havia declarado guerra contra eles.
Como o rei não estava se sentindo bem, cada filha ofereceu-se para comandar o exército como general. O rei respondeu:
   - Embora não seja tarefa para um mulher, eu aceito. Mas, se eu pegá-las pensando em outra coisa que não seja a guerra, terei que mandá-las para casa!
Carolina e Assuntina saíram com as tropas, mas se distraíram com  as roupas dos soldados e com as roupas dos soldados e com as deliciosas frutas das árvores. Ambas foram mandadas para casa como generais incompetentes.
A linda Flávia vestiu-se com uma brilhante armadura e foi ao encontro do inimigo, armada até os dentes. O Príncipe Lourenço, que liderava as tropas inimigas, perguntava a si mesmo se aquele general era um homem ou uma mulher e, assim, antes de iniciar o combate, ele a convidou para ir até sua casa e pediu a sua mãe que fizesse testes para descobrir a verdade. A rainha disse a Lourenço que levasse Flávia para inspecionar as armas e ela falou com entusiasmo sobre pistolas e espadas, como se fosse um homem. Então Lourenço levou-a ao jardim onde ela quebrou um ramo de jasmim e colocou-o atrás da orelha, como um homem faria. Então a rainha sugeriu um teste final: Flávia deveria dar um mergulho na piscina. Lourenço tirou a camisa e saltou.
Quando Flávia estava prestes a tirar suas roupas, uma carta urgente chegou avisando que a saúde de seu pai havia piorado. Deixando um bilhete para Lourenço, ela cavalgou de volta ao lar. Isto foi o que o príncipe leu:
 
Uma mulher veio, uma mulher para casa voltou. E o príncipe nunca soube quem seu trono ameaçou.
 
Lourenço então teve certeza e cavalgou até Olveria pra pedir a mão da princesa em casamento. Daquele dia em diante, houve paz entre Olveria e Arberia - tudo graças à coragem e à esperteza de Flávia!

Como ser uma Princesa: Senhora de seu Próprio Reino - Dicas da Princesa Flávia para Governar seu Reino

  • Faça alianças e amigos onde quer que vá. Um sorriso não custa nada!
  • Vigie seus inimigos e rivais. Uma princesa tem muito o que lamentar por não manter seus inimigos sob os olhos. Você pode não gostar deles, mas se você pode vê-los, ao menos pode ter uma ideia do que eles estão planejando!
  • Não tolere crueldade com os animais. Quando se encontraram em perigo, muitas das Princesas da Associação tiveram suas vidas salvas por animais pelos quais demonstraram compaixão.
  • Não dê ouvidos a intrigas. A corte é um lugar pequeno. Rumores e fofocas circulam rapidamente e geralmente não levam a nada.
  • Seja precavida. Nunca se sabe quando as circunstâncias podem mudar. Hoje uma princesa, amanhã um sem-teto? Cultive habilidades que possam ajudá-la a sobreviver no mundo real: um pouco de bordado hoje pode ajudá-la a fazer as barras dos lençóis da patroa amanhã. Reinos vêm e vão; então, esteja preparada!

Como ser uma Princesa: Senhora de seu Próprio Reino - Conhecendo seu reino

Vá para um lugar alto e observe seu reino em um dia ensolarado, assim você pode aprender a amá-lo ainda mais. Veja as pessoas trabalhando, os animais no campo, as árvores, os rios fluindo e lembre-se de que um dia, quando você se tornar rainha, todos vão depender de seu sábio governo.

Como ser uma Princesa: Senhora de seu Próprio Reino

Governar seu reino com justiça e compaixão significa que você tem que conhecer bem o seu reino e seu povo. Significa também praticar uma boa vizinhança com os países das fronteiras, caso contrário, você pode acabar tendo inimigos. Só porque você é uma garota, não significa que não seja tão esperta e disciplinada quanto um garoto!


Como ser uma Princesa: O Desafio de ser uma Princesa - A Bela Sophia

Sophia vivia com sua madrasta e suas meias-irmãs. Numa noite fria de inverno, o fogo acabou e sua madrasta cruelmente mandou Sophia procurar lenha no meio de uma tempestade. Sophia enrolou seu xale ao redor de si e, apenas com a boneca que sua mãe havia lhe dado em seu bolso, correu pela floresta. A boneca conduziu Sophia a uma clareira onde ela encontrou uma casa sobre estacas, circundada por uma cerca de crânios enfiados em hastes. Era a casa de Baba Yaga, a feiticeira. Sophia estava com muito medo, mas a feiticeira perguntou:
   - Você veio por sua vontade, ou foi mandada?
   - Eu fui mandada - respondeu Sophia.
   - Então seja minha serva fiel e você será recompensada - disse a feiticeira.
Por muitos dias e noites, Sophia serviu Baba Yaga, que lhe ordenou tarefas difíceis, com separar em diferentes pilhas sementes que estavam misturadas em sacos. Mas Sophia era sempre guiada pela boneca de sua mãe, que lhe dava sábios conselhos. A casa de Baba Yaga às vezes voava e aterrissava em diferentes lugares. Apenas Baba Yaga podia abrir a porta, mas a casa sobre estacas nunca estivera tão limpa e, como recompensa, enquanto Sophia lustrava a porta, ela abriu-se sozinha. Sophia correu para fora, pegou um dos crânios-lanternas e voltou para sua casa atravessando a floresta. Ao ver a lanterna de olhos luminosos, a madrasta e suas filhas correram em pânico. Quando ficou só, Sophia foi até a cidade e encontrou abrigo com uma velha mulher. Lá, ela começou a fazer lindas camisas de linho. A velha mulher levou-as ao filho do rei, fingindo que eram suas obras. O príncipe gostou tanto das camisas que encomendou mais e mais, tantas que velha foi obrigada a admitir que não era ela que as fazia. Finalmente, ele encontrou-se com Sophia e ficou apaixonado por ela.
   Desde então, a bela Sophia sempre consulta a boneca em seu bolso e pede conselhos para resolver desafios e ajudar o próximo.
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