Eu nasci como Princesa Pétala de Mediburgo. Quando meu pai faleceu, minha mãe arranjou-me um casamento com um príncipe que eu não conhecia, de um reino distante.
Preparando minha viagem para encontrar o príncipe, mamãe arrumou minha joias em uma bolsa. Então, fazendo um corte em seu dedo com uma faca afiada e deixando cais três brilhantes gotas de sangue em seu lenço, ela disse:
- Querida Pétala, mantenha esse lenço sempre junto a você, pois ele irá aconselhá-la quando eu não estiver por perto.
Após a despedida, subi em meu cavalo Quedala e parti apenas com a minha criada Arrogana como companheira. Enquanto cavalgávamos, fiquei com sede e pedi a Arrogana que trouxesse um pouco de água.
Arrogana respondeu muito irritada:
- Pegue água você mesma! Eu não tenho que servi-la!
De dentro da minha capa, o lenço disse:
- O coração de sua mãe se partiria se ela soubesse disso!
Eu desci do cavalo e estendi minha mão até o rio, mas o lenço caiu na água. Subitamente, toda minha força me deixou e eu desmaiei. Quando acordei, Arrogana havia roubado minhas roupas, minhas joias e levado meu cavalo, deixando-me a pé apenas com suas roupas de criada para vestir.
Os sinos tocavam em sinal de celebração quando cheguei ao castelo. Perguntei às pessoas o que havia acontecido e me responderam:
- Você não sabe que a Princesa Pétala acaba de se casar com o Príncipe Valentino?
Eu não podia acreditar! Além de tudo que havia me tirado, Arrogana havia também roubado o meu nome. Fingindo ser a Princesa Pétala, ela se casou com meu futuro marido! Sentei-me na soleira da torre e chorei.
Nesse instante, o rei olhou para fora e perguntou:
- Quem está chorando aí embaixo?
Antes que eu pudesse responder, Arrogana olhou e disse:
- É só uma mendiga. Deviam dar a ela algum trabalho para mantê-la ocupada.
E foi assim que me tornei uma pastora de gansos.
Como é que ninguém percebia que Arrogana não era uma princesa de verdade? Bem, quando alguém chega montada em um lindo cavalo e diz que é uma princesa, você simplesmente acha que é verdade! Arrogana certificou-se de que ninguém acreditaria em mim. Fui morar em um casebre e era vizinha de Conrado, o pastor de gansos. Quando Arrogana descobriu onde eu estava morando, foi até lá e ordenou:
- Não diga nada a nenhum ser vivo ou eu garanto que você morre! Jure pelos céus, pelas terras e pelos mares!
Assim, eu tive que jurar, pois mesmo sendo muito ruim ser pobre e vigiar gansos, seria muito pior morrer. Tudo bem com os gansos, quando você se acostuma com eles. São barulhentos e mandões e possuem bicos afiados, mas também são leais e sinceros.
Arrogana estava tão preocupada que o Príncipe Valentino descobrisse que ela não era a Princesa Pétala que deu um jeito de matar o pobre e querido Quedala, meu fiel cavalo. Para tornar minha vida ainda mais miserável, ela ordenou que a cabeça de Quedala fosse exposta sobre o portão pelo qual eu conduzia os gansos ao prado todos os dias. Todas as manhãs eu dizia a ele:
- Pobre Quedala, aí pendurado!
E a cabeça de Quedala respondia mansamente:
Pobre Princesa Pétala em agonia
se sua mãe disso soubesse
seu coração ao meio partiria!
Nesse meio tempo, Conrado havia ficado fascinado com meus cabelos sedosos e ficava tentando roubar uma das tranças para guardá-la com ele. Para afastá-lo, eu cantava estes versos:
Sopra vento, avança!
De Conrado leve o chapéu
Enquanto faço minha trança
Para cá e para lá pelo céu.
Enquanto eu cantava, o vento levava o chapéu de Conrado e o fazia correr pelas colinas para tentar pegá-lo de volta.
Todos os dias era a mesma coisa, mas eu não podia imaginar que Conrado ouvira Quedala falando comigo. Ele contou ao rei que eu falava com a cabeça do cavalo todos os dias e que Quedala sempre respondia. Os olhos do rei se arregalaram ao ouvir. Ele sabia que algo estava errado: seu filho não estava feliz com a sua nova esposa, que era uma dama absolutamente sem modos. Naquela noite, o rei me pediu para contar a verdade. Respondi que eu havia jurado não contar a nenhum ser vivo. Deixando a sala, ele disse:
- Bem, se você não pode contar a nenhum ser vivo, por que não conta àquele aquecedor de ferro?
Assim, ajoelhei diante do aquecedor e despejei toda a minha história, soluçando até o meu coração despedaçar-se:
- Querido aquecedor, eu na verdade sou uma princesa e minha criada tomou meu lugar e se casou com meu príncipe. Agora sou uma pastora de gansos e faço trabalhos pesados e, se minha mãe soubesse, seu coração partiria ao meio!
O que eu não sabia era que o bondoso e velho rei estava ali perto, ouvindo tudo. Ele contou ao Príncipe Valentino, que ficou muito triste ao descobrir que Arrogana mentiu e enganou a todos, mas também se sentiu aliviado ao saber que ele poderia se casar com uma verdadeira princesa.
Naquela noite, em um grande banquete, quando todos estavam com bom humor, o velho rei propôs a Arrogana uma questão:
- O que você faria a uma criada que desobedecesse a senhora, roubasse suas joias, tentasse se fazer se passar por ela e então se casasse com seu futuro marido?
Arrogana respondeu:
- Ela mereceria ficar só com sua roupa de baixo e ser expulsa da cidade a bicadas de ganso.
- Garota malvada! - disse o rei - você é essa criada e deve sofrer o castigo que descreveu!
E Arrogana teve suas roupas arrancadas, ficando apenas com as suas roupas de baixo e os gansos, que eram muito apegados a mim, bicaram e bicaram até que sua anágua ficasse cheia de buracos. Ela fugiu da cidade e nunca mais foi vista.
Assim, finalmente me casei com o Príncipe Valentino e temos vivido felizes juntos desde então. Dentro de nossa casa, ele me chama de Senhora Pastora de Gansos, embora eu seja sempre chamada de Sua Serena Alteza Princesa Pétala em cerimônias reais.
Todos os dias era a mesma coisa, mas eu não podia imaginar que Conrado ouvira Quedala falando comigo. Ele contou ao rei que eu falava com a cabeça do cavalo todos os dias e que Quedala sempre respondia. Os olhos do rei se arregalaram ao ouvir. Ele sabia que algo estava errado: seu filho não estava feliz com a sua nova esposa, que era uma dama absolutamente sem modos. Naquela noite, o rei me pediu para contar a verdade. Respondi que eu havia jurado não contar a nenhum ser vivo. Deixando a sala, ele disse:
- Bem, se você não pode contar a nenhum ser vivo, por que não conta àquele aquecedor de ferro?
Assim, ajoelhei diante do aquecedor e despejei toda a minha história, soluçando até o meu coração despedaçar-se:
- Querido aquecedor, eu na verdade sou uma princesa e minha criada tomou meu lugar e se casou com meu príncipe. Agora sou uma pastora de gansos e faço trabalhos pesados e, se minha mãe soubesse, seu coração partiria ao meio!
O que eu não sabia era que o bondoso e velho rei estava ali perto, ouvindo tudo. Ele contou ao Príncipe Valentino, que ficou muito triste ao descobrir que Arrogana mentiu e enganou a todos, mas também se sentiu aliviado ao saber que ele poderia se casar com uma verdadeira princesa.
Naquela noite, em um grande banquete, quando todos estavam com bom humor, o velho rei propôs a Arrogana uma questão:
- O que você faria a uma criada que desobedecesse a senhora, roubasse suas joias, tentasse se fazer se passar por ela e então se casasse com seu futuro marido?
Arrogana respondeu:
- Ela mereceria ficar só com sua roupa de baixo e ser expulsa da cidade a bicadas de ganso.
- Garota malvada! - disse o rei - você é essa criada e deve sofrer o castigo que descreveu!
E Arrogana teve suas roupas arrancadas, ficando apenas com as suas roupas de baixo e os gansos, que eram muito apegados a mim, bicaram e bicaram até que sua anágua ficasse cheia de buracos. Ela fugiu da cidade e nunca mais foi vista.
Assim, finalmente me casei com o Príncipe Valentino e temos vivido felizes juntos desde então. Dentro de nossa casa, ele me chama de Senhora Pastora de Gansos, embora eu seja sempre chamada de Sua Serena Alteza Princesa Pétala em cerimônias reais.
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