Comunicado aos alunos:
A partir de segunda-feira está expressamente proibido o uso de aparelhos celulares dentro da escola, seja em sala, nos corredores ou mesmo no pátio. Caso o aluno seja encontrado batendo papo, enviando torpedos, publicando fotos, usando o Facebook, conversando no Skype, atualizando o status no Twitter, ou apenas com o celular nas mãos (ainda que desligado), será suspenso por três dias, sem direito à reposição das provas e trabalhos perdidos durante este período.
Em caso de urgência, o aluno deverá se dirigir à secretaria e pedir aos funcionários que efetuem a chamada telefônica, exatamente como era antigamente, antes de os celulares existirem.
Este comunicado deverá ser assinado pelos pais.
Atenciosamente,
Dora Lúcia Cruz
Diretora do Ensino Médio
- Cintia, você tem que explicar para a diretora que o seu caso é especial. Não é como se você quisesse usar o celular pra qualquer um desses fins descritos na circular!
O sinal tinha acabado de bater e o colégio parecia prestes a explodir. O comunicado tinha sido entregue cinco minutos antes, e mais de mil alunos revoltados desciam as escadas, uns gritando, outros xingando, alguns chorando e poucos, como eu, apenas lendo e relendo aquela circular, tentando encontrar uma solução.
A Lara continuava a falar ao meu lado:
- Ela tem que entender que o único horário no qual você pode se comunicar com a sua mãe é esse! O que essa diretora quer? Ser a culpada por você virar uma pessoa cheia de carências causadas pela falta de contato diário, ainda que a distância, com a sua progenitora? Nós sabemos perfeitamente que é como se você soubesse contar com o seu pai. E quero ver o que vão dizer na secretaria se você pedir para fazer uma ligação para o JAPÃO!
Tentei assimilar o que ela dizia, enquanto lia a mensagem pela décima vez. A Lara estava certa, apesar de saber que a direção da escola também tinha sua razões. O dia anterior tinha sido a gota d'água, quando uns alunos da minha sala criaram um aplicativo feito especialmente para colar. Quando o primeiro aluno que soubesse as respostas terminasse a prova, tudo o que tinha que fazer era passar o gabarito para o celular, que, através do tal aplicativo, transmitia a informação para os telefones para todos os outros alunos, devidamente posicionados em seus bolsos. Os colegas, então, sentiram o vibracall repassando as respostas: uma vibração longa para indicar o início. Em seguida uma vibração curta para a letra A, duas para B, três para C, quatro para D. Outra vibração longa para sinalizar a próxima questão e novamente vibraçõeszinhas com a resposta certa.
Eu, se estivesse no lugar dos professores, daria algum crédito pela engenhosidade. Mas, ao contrário disso, tiraram todos os pontos de participação dos responsáveis pela invenção, e eles só não foram expulsos por já estarmos no final do ano. Além disso, os caras tiveram que pagar o maior mico, indo de sala em sala pedir desculpas para todos os alunos pelo fato de a brincadeirinha deles ter sido a culpada pela abolição dos celulares. É claro que isso não adiantou nada, e todos os alunos do colégio continuavam querendo matá-los, inclusive eu! Mas, na verdade, acho que a direção da escola exagerou. Poxa, até entendo não permitirem celulares durante as aulas, mas qual é o problema de usá-los nos intervalos, entre um período e outro, ou pelo menos durante o recreio?! Obviamente eu iria reclamar, começar uma reivindicação ou um abaixo-assinado qualquer para que reconsiderassem essa decisão.
E foi o que respondi para a Lara, quando ela finalmente parou de exigir que eu tomasse alguma atitude. Claro que eu iria fazer alguma coisa. Afinal, não era como se eu estivesse revoltada por não poder atualizar a minha conta no Twitter para que todos os meus dez seguidores soubessem o que eu estava lanchando ou que cor do meu All Star tinha escolhido naquele dia. Eu realmente tinha um motivo sério! E a coordenação da escola tinha que levar isso em consideração. Eu sabia que seria difícil, considerando que a diretora vivia pegando no meu pé. Mas eu ia dar um jeito. Nem que para isso tivesse que tomar uma medida drástica: falar com o meu pai.
Eu, se estivesse no lugar dos professores, daria algum crédito pela engenhosidade. Mas, ao contrário disso, tiraram todos os pontos de participação dos responsáveis pela invenção, e eles só não foram expulsos por já estarmos no final do ano. Além disso, os caras tiveram que pagar o maior mico, indo de sala em sala pedir desculpas para todos os alunos pelo fato de a brincadeirinha deles ter sido a culpada pela abolição dos celulares. É claro que isso não adiantou nada, e todos os alunos do colégio continuavam querendo matá-los, inclusive eu! Mas, na verdade, acho que a direção da escola exagerou. Poxa, até entendo não permitirem celulares durante as aulas, mas qual é o problema de usá-los nos intervalos, entre um período e outro, ou pelo menos durante o recreio?! Obviamente eu iria reclamar, começar uma reivindicação ou um abaixo-assinado qualquer para que reconsiderassem essa decisão.
E foi o que respondi para a Lara, quando ela finalmente parou de exigir que eu tomasse alguma atitude. Claro que eu iria fazer alguma coisa. Afinal, não era como se eu estivesse revoltada por não poder atualizar a minha conta no Twitter para que todos os meus dez seguidores soubessem o que eu estava lanchando ou que cor do meu All Star tinha escolhido naquele dia. Eu realmente tinha um motivo sério! E a coordenação da escola tinha que levar isso em consideração. Eu sabia que seria difícil, considerando que a diretora vivia pegando no meu pé. Mas eu ia dar um jeito. Nem que para isso tivesse que tomar uma medida drástica: falar com o meu pai.
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